15 setembro 2006

Relato de um menino sonhador

"Silvio Costta contou no texto a seguir como foi seu primeiro dia na escola e agora quer saber como foi o de vocês, crianças que escrevem para este blog. Aí está o primeiro desafio! Estamos aguardando os relatos.
Um Beijinho!"

Prof. Andréa


Meu primeiro dia na escola

Olha só, meu pai tinha alugado uma casa que tinha um porão embaixo dela!
No quintal que ficava ao lado, a gente criava galinhas e tinha que buscá-las quando elas estavam longe, principalmente se o tempo fechasse e de repente começasse a ventar. Ficava tudo meio escuro e ai parecia que ia chover. Acho que galinha tem medo de vento e chuva, elas começavam a correr pra todo lado, parecia que estavam doidinhas!
Eu tinha seis anos, gostava de brincar no quintal, caçar com meu irmão mais velho lá nos fundos da casa, onde tinha uma mata que diziam ter até macacos...
Um dia nessa mata, eu meus irmãos encontramos uma piscina abandonada - acho que era da casa de alguém, mas parecia não ter mais dono, estava toda cercada de mato e suja...então meu irmão deixou uma linha de pesca com isca dentro da piscina. No outro dia, logo pela manhã, nós fomos até a piscina pra ver o que tinha acontecido. Quando ele puxou a linha veio um peixe enorme! Nós saímos correndo apavorados, mas logo em seguida voltamos e pegamos o peixe. De noite o nosso jantar foi o danado do peixe que nos assustou .
Dentro do porão, foi o lugar onde eu tive minhas primeiras aulas. Minha irmã mais velha me ensinava algumas coisas. Ela passava num papel o que eu tinha que fazer, então eu desenhava e copiava. Antes da escola eu já tinha minha primeira professora: minha irmã Silene.
A escola ficava ao lado da mata, aquela dos macacos e do peixe gigante que virou jantar. Descíamos até o fundo do quintal e depois subíamos um pouco pra chegar até ela.
No meu primeiro dia de aula, acho que eu não chorei. Minha irmã me levou, então, como ela era minha professora, foi mais tranqüilo. A sala tinha aquelas carteiras que tem o banco junto com a parte em que se apóia o caderno pra escrever. Parecia uma arca antiga. Eu tinha um caderno pequeno, um lápis e uma borracha. Comecei minhas lições fazendo cobrinhas e desenhos, mas como eu já sabia muita coisa que minha irmã tinha me ensinado, tudo ficou mais fácil. Quando a lição acabou eu fiquei olhando pela janela toda aquela mata. O vento bateu nas árvores e o sinal bateu pra avisar a hora de ir embora...e como o vento voltou pra soprar na mata, no outro dia eu voltei pra estudar na escola...e esse foi o segundo dia ...
Mas ai já outra história.

Silvio Costta

Um comentário:

Marli disse...

Puxa, que texto gostoso!Parabéns!