Vamos conhecer agora a história da Mary e do Eliardo França, escritora e
ilustrador que participarão do Escrevendo com o Escritor neste semestre. Nosso
encontro está marcado para os dias 4 e 5 de Junho, mas antes disto vamos viver
várias aventuras juntos que vamos sempre postar aqui no blog. Tomara que todo
mundo goste!!!!
Vamos começar com a Mary
Quando pequena, Mary França conheceu muitas cidades. Até os cinco
anos de idade, viveu em Santos Dumont, de onde guarda boas memórias da rua da
Biquinha, das reuniões de família, de uma fábrica de bonecas da sua rua e
da árvore em que brincava ao redor, fazendo "comidinha” com as
primas. Aos cinco anos, mudou-se para Barra do Piraí. Lá já assumia a sua
característica de menina responsável: cuidava de sua irmã caçula e ajudava no
trabalho do pai, que tinha uma casa de materiais de construção. Finalmente, aos
11 anos foi para Juiz de Fora, cidade que marcou definitivamente sua vida.
Nessa
época, Mary França também conheceu os discos de histórias infantis,
que seu pai colocava para a filha escutar. Gostava, sobretudo, da história
de Peter Pan. Ouvir essas histórias a influenciou muito a se tornar escritora.
No
curso de magistério, um colega que sabia do gosto de Mary pela literatura a
incentivou a escrever histórias. Decidiu seguir o conselho e passou a dividir
sua vida de adolescente com a vida de escritora: criava contos e seu mundo
imaginário em meio a um dia a dia típico de uma garota de sua idade. Mas ainda
sem publicar.
Algum
tempo depois, em um baile de Carnaval, Mary conheceu Eliardo França, um jovem
ilustrador em começo de carreira. O encontro foi o empurrão que faltava para
Mary se tornar uma escritora de verdade: ele ilustrou o primeiro livro que ela
publicou, O menino que voa, lançado pela Editora Conquista, no
início dos anos 60. E a parceria se estendeu além das páginas dos livros
infantis: os dois se casaram e consolidaram uma bem-sucedida carreira em
conjunto.
Em
1974 foram convidados pela Editora Ática para produzir livros para crianças
pequenas, com pouco texto. Naquele momento Mary França começa a pensar
na Coleção Gato e Rato, uma das coleções mais elogiadas e mais
utilizadas pelos professores em sala de aula.
Um novo desafio apareceu em 1989: traduzir diretamente do dinamarquês os
contos de Hans Christian Andersen, destinados a um público um pouco mais
adulto. Fizeram, então, uma das maiores viagens da vida de ambos, morando
durante quase um ano na Dinamarca, onde visitaram museus, pesquisaram e
aprenderam com vizinhos e conhecidos sobre o escritor que tanto a encanta.
E depois de todas as pesquisas, textos e quilômetros rodados, Mary ainda
adora viajar, mas gosta mesmo é do contato com as crianças. Tem prazer em
reunir sua família e seus netinhos, ou ir até escolas para se aproximar
do público leitor. Desse relacionamento íntimo tira ideias para novos
livros.
Agora o Eliardo
A fantasia nas cores e nos traços
é uma constante na vida de Eliardo França. Quando, ainda pequeno, ele desagradou
à professora ao pintar sua primeira árvore azul, esse ilustrador mineiro já
começava a definir um dos estilos de sua obra, que é repleta de cachorros
roxos, gatos verdes e ratos vermelhos.
Sua imaginação de cores trocadas, assim como seu gosto pelos temas
infantis, bebeu muito da fonte de sua infância em Minas Gerais.
O menino Eliardo aprendeu a montar arapucas para pegar passarinho, jogar
bolinha de gude e pescar com guarda-chuva! Essa pesca acontecia na época da
desova dos lambaris, quando os peixes subiam o rio e saltavam para superar os
desníveis da água. Desavisados, os peixinhos caíam dentro do guarda-chuva
estrategicamente aberto por Eliardo, que pescava quilos de lambaris para comer
fritos no fubá.
Entre caricaturas e garatujas, cresceu querendo ser desenhista. Aos 18 anos,
tentou Arquitetura, mas logo percebeu que não era a sua área de interesse.
Ainda convencido que seu caminho profissional estava no desenho, tomou coragem,
elaborou algumas páginas de histórias em quadrinhos e foi ao Rio de Janeiro,
bater na porta da Editora Brasil-América.
Chegou sem avisar, e encontrou o editor Adolfo Aizen, que o aconselhou a seguir
o caminho da ilustração de livros infantis. Apesar de seu primeiro trabalho
nunca ter sido publicado, o jovem ilustrador foi incentivado a continuar. Esse
incentivo rendeu a ele as ilustrações para livros de Malba Tahan, além da
oportunidade de trabalhar com Ziraldo, na revista O Cruzeiro, e no caderno
infantil do Jornal do Brasil.
Mas foi com os textos de Mary que os desenhos de Eliardo se tornaram conhecidos
e ajudaram a alfabetizar muitas gerações de leitores mirins. A parceria rendeu
também um casamento e quatro filhos.
Para conhecê-los
melhor visite o blog Os Pingos!

